Ainda vivas na memória as circunstâncias cruéis e desumanas da morte do índio Galdino, em Brasília, bem como ainda presente, na garganta, uma "trava" de indignação pelo desfecho do caso no que se refere aos autores, eis que somos sacudidos por outra monstruosidade praticada por jovens no final da adolescência. Assim como os algozes do índio Galdino, os assassino do garçom, em Porto Seguro, agiram com instintos de selvageria sem qualquer contrapartida em agressividade da parte oposta. O primeiro estava a dormir num banco da praça, quando os cinco jovens lhe lançaram álcool seguido de fogo; o segundo estava a trabalhar, sendo surpreendido com murros, chutes e pauladas, quando tentava conduzir seu trabalho de acordo com as regras. Também são estudantes da classe média e brasilienses, com a diferença que os de agora cometeram o crime fora de seu domicílio.
Em ambos os casos, o comportamento dos autores reclama atenção sobre o porquê, pois não se configurou comoção coletiva, fator geralmente presente nos atos de linchamento contra agentes de danos contra a pessoa humana. No calor de um tumulto ou imediatamente após o dano causado, explica-se a fúria coletiva contra autor ou autores, o que em certas circunstâncias até se justifica a fuga destes nos casos de atropelamento no trânsito. Mas, sem nenhum motivo aparente, a agressão coletiva, por menor que seja, leva-nos a temer o nosso próprio comportamento diante de situações em que, eventualmente, interagimos com o grupo do qual fazemos parte. Tal tipo de agressão, em que a violência ocorre subitamente, escapa aos padrões de comportamento humano e sugere que se busquem possíveis causas em fatores até agora desconsiderados, como o excesso de barulho por exemplo. Não sei se nesse quadro se enquadraria a brutalidade contra o garçom em Porto Seguro. De acordo com o noticiário, os amigos dos agressores teriam ficado surpresos pois os conheciam individualmente como rapazes pacatos, avessos a confusões. Sabe-se que em grupo o indivíduo se solta e compensa uma natural inibição, mas, a ponto de cometer homicídio, sem que apenas um dos sete agisse ao contrário, como se tivessem planejado toda a ação, é demais para quem tenta compreender a estupidez humana em certos momentos. Ainda segundo o noticiário, a agressão foi em resposta ao pedido de desocupação da mesa, que o grupo usava para consumir bebidas adquiridas em outro local; pedido muito justo, uma vez que a mesa era destinada a clientes da casa. Percebe-se então uma questão de educação para o acatamento de regras. Pelo visto, os rapazes não estão acostumados a ter suas vontades contrariadas, coisa muito comum na educação familiar moderna.
Sob o argumento de que restrições às ações infantis e desejos contrariados formam indivíduos incapazes de tomar iniciativas, pais criam pequenos imperadores no ambiente doméstico, aos quais não se nega nada, nem mesmo sob a realidade de algum sacrifício da família. E está claro que, por razões óbvias, isso acontece nos lares com menores restrições de consumo, em resposta a melhor poder aquisitivo. Toda a facilidade encontrada na satisfação de suas vontades tais indivíduos esperam ver repetida cá fora, quando a liberdade transpõe o portão doméstico. O mundo deve curvar-se à sua vontade, ou se sujeita à fúria com a qual teria respondido a uma negativa paterna, depois de extrema condescendência na infância remota.
Para explicar o comportamento desses novos trogloditas brasilienses, espera-se não venha alguém dizer que foi apenas uma brincadeirinha que resultou em tragédia.
nbatista@uai.com.br
Blog do Professor Vitor
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
"FANATISMO"
O ser humano encerra dentro de si uma capacidade, que se pode dizer infinita, de buscar o conhecimento e entender pelo menos uma microscópica fração da Criação e, mediante o uso dessa capacidade, em estágio evolutivo muito além estaria, não fossem os fatores contrários também integrantes de sua natureza. O poder de construir acaba sendo prejudicado, por exemplo, pela atenção demasiada a partes, que seriam meios e não um fim em si, num processo de inversão de valores, tão comum na época atual que aos menos avisados pode parecer normal. Ultrapassado determinado limite, essa concentração exagerada numa atividade humana, de qualquer natureza, surge então o fanatismo em cuja esteira se abala o equilíbrio das relações entre os homens. Como já dito antes, pode ser de qualquer natureza, mas três tipos se destacam por sua universalidade e pelos estragos que já provocaram e ainda provocam, em todo o mundo.
O fanatismo político-ideológico é o pior deles, pois figura entre as principais causas de guerras, sem se falar nas perseguições isoladas contra indivíduos como reação a posições políticas divergentes. No mesmo nível do fanatismo político, o de natureza religiosa provoca outro tanto de guerras e perseguições, valendo lembrar que a colonização da América do Norte, com consequente destruição das civilizações nativas, se deveu, em parte, à fuga de perseguidos religiosos europeus. É interessante observar o paradoxo, pois toda religião tem por princípio a busca da divindade, ou Deus, e para isso prega a harmonia entre os indivíduos como condição básica para se atingir aquele objetivo. Entender o porquê de tanto sangue derramado entre meios diferentes, quando se tem consciência do fim único, é o grande exercício mental para os que crêem que, no fundo, bem no fundo, o ser humano é bom. Só que, às vezes, lhe falta oportunidade para demonstrar ou, se o faz, é de maneira equivocada. Como terceiro ponto da trilogia fanática tende a crescer o futebol, mais aqui menos acolá, mas sempre a carrear tensões entre grupos de torcedores a ponto de multidões se engalfinharem nos estádios, como dois exércitos em campo de batalha, incluindo-se mortes como resultado. Mas o ponto mais negativo, por muito que isso choque, não está na violência apontada. Está no desvio de energias, de recursos e do saber mais necessários no processo do desenvolvimento humano. Como pequeno exemplo relato o que presenciei há poucos dias. Caminhava eu pela rua, quando às minhas costas ouvi duas pessoas a conversar. Pelo timbre das vozes, conclui que uma era adulta e outra criança. O adulto falava animadamente de futebol. Descrevia técnicas e artimanhas de jogadas como se conversasse com outro de sua mesma idade e capacidade de compreensão do assunto. Quando passaram por mim, percebi tratar-se de um homem com cerca de cinqüenta anos e um garoto entre oito e dez anos. Será que aquele homem não tinha assunto mais proveitoso na conversa com um garoto em idade escolar?
O futebol tem sua importância como esporte, uma necessidade para a saúde do corpo, mas deveria ficar lá no campo, pois cá fora outras prioridades nos aguardam. Entretanto, pior li depois sobre o que acontece na Argentina, por obra de um grupo de fanáticos em torno do herói nacional do futebol. Foi fundada uma "igreja" para cultuar o jogador nº 1 argentino, figurando ele próprio como uma espécie de "deus". Até um novo calendário foi criado, tendo como ano 1 o do seu nascimento. O dia do seu aniversário ficou estabelecido como dia da "natividade", uma cópia do Natal cristão.
É o fim da picada! Dar sentido idólatra-religioso à admiração, já exagerada, a destaque em qualquer atividade humana revela degenerescência na compreensão dos valores mais altos, que dão sentido à vida.
http://www.ouropreto-ourtoworld.jor.br/fanatismo.htm
O fanatismo político-ideológico é o pior deles, pois figura entre as principais causas de guerras, sem se falar nas perseguições isoladas contra indivíduos como reação a posições políticas divergentes. No mesmo nível do fanatismo político, o de natureza religiosa provoca outro tanto de guerras e perseguições, valendo lembrar que a colonização da América do Norte, com consequente destruição das civilizações nativas, se deveu, em parte, à fuga de perseguidos religiosos europeus. É interessante observar o paradoxo, pois toda religião tem por princípio a busca da divindade, ou Deus, e para isso prega a harmonia entre os indivíduos como condição básica para se atingir aquele objetivo. Entender o porquê de tanto sangue derramado entre meios diferentes, quando se tem consciência do fim único, é o grande exercício mental para os que crêem que, no fundo, bem no fundo, o ser humano é bom. Só que, às vezes, lhe falta oportunidade para demonstrar ou, se o faz, é de maneira equivocada. Como terceiro ponto da trilogia fanática tende a crescer o futebol, mais aqui menos acolá, mas sempre a carrear tensões entre grupos de torcedores a ponto de multidões se engalfinharem nos estádios, como dois exércitos em campo de batalha, incluindo-se mortes como resultado. Mas o ponto mais negativo, por muito que isso choque, não está na violência apontada. Está no desvio de energias, de recursos e do saber mais necessários no processo do desenvolvimento humano. Como pequeno exemplo relato o que presenciei há poucos dias. Caminhava eu pela rua, quando às minhas costas ouvi duas pessoas a conversar. Pelo timbre das vozes, conclui que uma era adulta e outra criança. O adulto falava animadamente de futebol. Descrevia técnicas e artimanhas de jogadas como se conversasse com outro de sua mesma idade e capacidade de compreensão do assunto. Quando passaram por mim, percebi tratar-se de um homem com cerca de cinqüenta anos e um garoto entre oito e dez anos. Será que aquele homem não tinha assunto mais proveitoso na conversa com um garoto em idade escolar?
O futebol tem sua importância como esporte, uma necessidade para a saúde do corpo, mas deveria ficar lá no campo, pois cá fora outras prioridades nos aguardam. Entretanto, pior li depois sobre o que acontece na Argentina, por obra de um grupo de fanáticos em torno do herói nacional do futebol. Foi fundada uma "igreja" para cultuar o jogador nº 1 argentino, figurando ele próprio como uma espécie de "deus". Até um novo calendário foi criado, tendo como ano 1 o do seu nascimento. O dia do seu aniversário ficou estabelecido como dia da "natividade", uma cópia do Natal cristão.
É o fim da picada! Dar sentido idólatra-religioso à admiração, já exagerada, a destaque em qualquer atividade humana revela degenerescência na compreensão dos valores mais altos, que dão sentido à vida.
http://www.ouropreto-ourtoworld.jor.br/fanatismo.htm
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Uma visão crítica da proclamação da República no Brasil.
Nas clássicas representações do golpe militar que marcou o fim da Monarquia no Brasil e o início da República, a imagem do marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), erguendo seu quepe cheio de glórias, é a que prevalece. No quadro de Henrique Bernardelli (1857-1936, mostrado à esquerda), o militar é propositadamente recuperado como a figura central, o representante maior dos ideais de liberdade associados ao novo período. Esses e outros retratos da época ajudaram a disseminar uma visão parcial do episódio, apagando outros personagens que desempenharam papel relevante na mudança. Iluminar esses grupos esquecidos é o ponto de partida para apresentar uma visão crítica da proclamação da República aos estudantes.
O ponto fundamental é esclarecer que, longe de ser um fato pontual, a instauração do novo modo de governo decorre de uma série de fatores que contribuíram para criar um cenário propício à República (veja o quadro abaixo). Expor essa realidade aos alunos, privilegiando a visão de processo histórico, permite um entendimento mais profundo da realidade política, econômica e social da época. Com base nessa revisão histórica, o próprio papel dos militares no episódio passa a ser relativizado, uma vez que outros agentes com importante função no gradativo enfraquecimento do antigo governo são trazidos à luz.
É possível, por exemplo, reavaliar o que de fato ocorreu no dia da proclamação. Em 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram circular o boato de que o governo imperial havia mandado prender Deodoro e o tenente-coronel Benjamin Constant, líder dos oficiais republicanos. O objetivo era instigar o marechal, um militar de prestígio, a comandar um golpe contra a monarquia. Deu certo: no dia 15, ele reuniu algumas tropas, que em seguida rumaram para o centro do Rio de Janeiro e depuseram os ministros de dom Pedro II.
O imperador, que estava em Petrópolis, a 72 quilômetros do Rio de Janeiro, retornou para a capital na tentativa de formar um novo ministério. Mas, ao receber um comunicado dos golpistas informando sobre a proclamação da República e pedindo que deixasse o país, não ofereceu resistência e partiu para a Europa. Tamanho era o temor de que o Império pudesse ser restaurado que o banimento da família real durou décadas: apenas em 1921 os herdeiros diretos do imperador deposto foram finalmente autorizados a pisar em solo brasileiro.
Vale discutir o peso da participação de Deodoro da Fonseca explicando alguns detalhes dos bastidores do acontecimento. Fosse ou não ele a figura central do fato, que não enfrentou praticamente nenhuma resistência - daí as representações não o mostrarem de espada em punho -, muito provavelmente a história teria o mesmo desfecho. Conte que o "herói da proclamação" fez parte do Estado monárquico e era funcionário de confiança de dom Pedro II. Relutou em instaurar o novo sistema e aderiu à causa dias antes.
No dia fatídico, ele saiu de casa praticamente carregado por seus companheiros - Deodoro estava doente, com problemas respiratórios. Cavalgou quase a contragosto, ameaçado pela ideia de que o governo imperial, ao saber dos boatos sobre a proclamação, pretendesse reorganizar a Guarda Nacional e fortalecer a polícia do Rio de Janeiro para se contrapor ao Exército. Foi o republicano José do Patrocínio que, horas mais tarde, dirigiu-se à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, presidindo o ato solene de proclamação da República. Deodoro, a essa altura, estaria em casa, possivelmente assinando a carta que chegaria a seu amigo pessoal, o imperador Pedro II, informando, com grande pesar, o banimento da família real.
BIBLIOGRAFIA
A Formação das Almas - O Imaginário da República no Brasil, José Murilo de Carvalho, 168 págs., Ed.
O ponto fundamental é esclarecer que, longe de ser um fato pontual, a instauração do novo modo de governo decorre de uma série de fatores que contribuíram para criar um cenário propício à República (veja o quadro abaixo). Expor essa realidade aos alunos, privilegiando a visão de processo histórico, permite um entendimento mais profundo da realidade política, econômica e social da época. Com base nessa revisão histórica, o próprio papel dos militares no episódio passa a ser relativizado, uma vez que outros agentes com importante função no gradativo enfraquecimento do antigo governo são trazidos à luz.
É possível, por exemplo, reavaliar o que de fato ocorreu no dia da proclamação. Em 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram circular o boato de que o governo imperial havia mandado prender Deodoro e o tenente-coronel Benjamin Constant, líder dos oficiais republicanos. O objetivo era instigar o marechal, um militar de prestígio, a comandar um golpe contra a monarquia. Deu certo: no dia 15, ele reuniu algumas tropas, que em seguida rumaram para o centro do Rio de Janeiro e depuseram os ministros de dom Pedro II.
O imperador, que estava em Petrópolis, a 72 quilômetros do Rio de Janeiro, retornou para a capital na tentativa de formar um novo ministério. Mas, ao receber um comunicado dos golpistas informando sobre a proclamação da República e pedindo que deixasse o país, não ofereceu resistência e partiu para a Europa. Tamanho era o temor de que o Império pudesse ser restaurado que o banimento da família real durou décadas: apenas em 1921 os herdeiros diretos do imperador deposto foram finalmente autorizados a pisar em solo brasileiro.
Vale discutir o peso da participação de Deodoro da Fonseca explicando alguns detalhes dos bastidores do acontecimento. Fosse ou não ele a figura central do fato, que não enfrentou praticamente nenhuma resistência - daí as representações não o mostrarem de espada em punho -, muito provavelmente a história teria o mesmo desfecho. Conte que o "herói da proclamação" fez parte do Estado monárquico e era funcionário de confiança de dom Pedro II. Relutou em instaurar o novo sistema e aderiu à causa dias antes.
No dia fatídico, ele saiu de casa praticamente carregado por seus companheiros - Deodoro estava doente, com problemas respiratórios. Cavalgou quase a contragosto, ameaçado pela ideia de que o governo imperial, ao saber dos boatos sobre a proclamação, pretendesse reorganizar a Guarda Nacional e fortalecer a polícia do Rio de Janeiro para se contrapor ao Exército. Foi o republicano José do Patrocínio que, horas mais tarde, dirigiu-se à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, presidindo o ato solene de proclamação da República. Deodoro, a essa altura, estaria em casa, possivelmente assinando a carta que chegaria a seu amigo pessoal, o imperador Pedro II, informando, com grande pesar, o banimento da família real.
BIBLIOGRAFIA
A Formação das Almas - O Imaginário da República no Brasil, José Murilo de Carvalho, 168 págs., Ed.
POLÍTICA E POLITICAGEM!
Política e Politicagem se confundem como uma imagem no espelho. Onde termina a realidade e começa o reflexo invertido de si mesmo?
Antes de entrar no mérito do que seria Política e Politicagem, procurei o significado no dicionário e vou usar o resultado da pesquisa aqui. Afinal, quem sou eu perto do HOUAISS, não é mesmo? Entre os vários significados, estes se enquadram melhor.
Política = arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa)
Politicagem = política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes.
Está bem claro, certo? Deveria, mas não está. O que vemos é a falta de comprometimento (para não dizer caráter) no limite entre uma coisa e outra. Vamos aos exemplos:
Entrar em acordo com partidos políticos adversários para melhor poder governar um país, é fazer Política. Trocar apoio político por dinheiro, é Politicagem! (pra não dizer. Ops! Corrupção...)
Distribuir o orçamento de acordo com as necessidades partidárias, é Política. Liberar 400 milhões de reais em emendas parlamentares às vésperas da aprovação da CPI dos Correios, é Politicagem! (mesmo que não tenha conseguido segurar a CPI, conseguiu ganhar a presidência e a relatoria.
Se preocupar com o futuro da nação ao invés de perseguir governos anteriores, é Política. Acobertar denúncias de corrupção do governo anterior, é Politicagem (para não dizer prevaricação ou - sendo mais leve - omissão!).
O problema é que estamos tão habituados a ver conchavos, desvio de dinheiro público e corrupção que até mesmo nós - tão longe de sermos os beneficiários desta Política(gem) toda - perdemos a capacidade de diferenciar o que é isso ou aquilo. Se ainda nos lembrássemos, ah, se lembrássemos e tivéssemos iniciativa que nossos vizinhos bolivianos e argentinos tiveram, Política e Politicagem seriam duas palavras bem distantes uma da outra. Tanto que eu não precisaria recorrer ao dicionário para saber a diferença...
Isso foi só pra esquentar o blog, ligar as turbinas e provocar o nosso lado crítico. Pra encerrar, vou usar uma de minhas frases prediletas:
O maior castigopara quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam.
Até mais, pessoal!
Érika Bento Gonçalves
Antes de entrar no mérito do que seria Política e Politicagem, procurei o significado no dicionário e vou usar o resultado da pesquisa aqui. Afinal, quem sou eu perto do HOUAISS, não é mesmo? Entre os vários significados, estes se enquadram melhor.
Política = arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa)
Politicagem = política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes.
Está bem claro, certo? Deveria, mas não está. O que vemos é a falta de comprometimento (para não dizer caráter) no limite entre uma coisa e outra. Vamos aos exemplos:
Entrar em acordo com partidos políticos adversários para melhor poder governar um país, é fazer Política. Trocar apoio político por dinheiro, é Politicagem! (pra não dizer. Ops! Corrupção...)
Distribuir o orçamento de acordo com as necessidades partidárias, é Política. Liberar 400 milhões de reais em emendas parlamentares às vésperas da aprovação da CPI dos Correios, é Politicagem! (mesmo que não tenha conseguido segurar a CPI, conseguiu ganhar a presidência e a relatoria.
Se preocupar com o futuro da nação ao invés de perseguir governos anteriores, é Política. Acobertar denúncias de corrupção do governo anterior, é Politicagem (para não dizer prevaricação ou - sendo mais leve - omissão!).
O problema é que estamos tão habituados a ver conchavos, desvio de dinheiro público e corrupção que até mesmo nós - tão longe de sermos os beneficiários desta Política(gem) toda - perdemos a capacidade de diferenciar o que é isso ou aquilo. Se ainda nos lembrássemos, ah, se lembrássemos e tivéssemos iniciativa que nossos vizinhos bolivianos e argentinos tiveram, Política e Politicagem seriam duas palavras bem distantes uma da outra. Tanto que eu não precisaria recorrer ao dicionário para saber a diferença...
Isso foi só pra esquentar o blog, ligar as turbinas e provocar o nosso lado crítico. Pra encerrar, vou usar uma de minhas frases prediletas:
O maior castigopara quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam.
Até mais, pessoal!
Érika Bento Gonçalves
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